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Empresária se dedica a tecnologia há 4 décadas

Escrito por:Digix 01/03/2022 7 min

Saiba como ela se destacou no setor em que só 20% das vagas são ocupadas por mulheres

O segmento de tecnologia é conhecido por ainda ter poucas mulheres ocupando suas cadeiras, no entanto, segundo uma pesquisa realizada pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a participação feminina na área cresceu 60% nos últimos cinco anos, passando de 27,9 mil mulheres para 44,5 mil, nesse período. Mesmo com esse crescimento positivo, elas continuam ocupando apenas 20% dos cargos.

Essa porcentagem tão desigual traz diversos questionamentos. A pesquisa latinoamericana Women in Technology, da consultoria de recursos humanos Michael Page, procurou respostas sobre essa participação ainda tímida, entrevistando profissionais do segmento, em diferentes funções. Um dos fatores levantados pelas trabalhadoras brasileiras é a falta de outras profissionais em quem se espelhar. Para 47% delas, faltam inspiração e modelos femininos no setor.

A empresária da área de tecnologia Suely Almoas, no entanto, há quase quatro décadas vem nadando contra a maré. E, o melhor, tendo muito êxito em sua jornada. Ela faz parte dos 41,8% de mulheres no Brasil que ocupam cargos de liderança, segundo o IBGE. Mas se engana quem pensa que sua trajetória tenha sido fácil.

Suely, que hoje é CEO da Digix, empresa de tecnologia sul-mato-grossense que atende todo o país, começou sua jornada no segmento ao ingressar na faculdade de Ciências Contábeis. Dedicada aos seus estudos e muito inquieta, ela foi convidada a trabalhar ao lado de um amigo, em uma empresa de tecnologia. “Comecei como auxiliar de controle, mas eu era muito curiosa e estava sempre querendo aprender o que os outros colegas estavam fazendo”, conta.

Com o tempo, ela foi mudando de função até deparar-se com o setor de desenvolvimento. “Eu queria fazer parte daquilo, então pedi uma chance ao meu gestor. Ele me deu dois livros de programação, pediu que eu os estudasse e, em 30 dias, eu deveria desenvolver um sistema de mala direta. Estudei dia e noite e pedi dicas para os colegas desenvolvedores. Na data estipulada, apresentei o sistema pronto e rodando”, lembra.

Isso ainda era na época em que a informática engatinhava no dia a dia dos brasileiros. Suely passou por diversas fases do progresso tecnológico, saindo de computadores grandes para o mundo dos microcomputadores. De lá para cá, ela não parou, buscando sempre estar à frente das novidades no segmento, de maneira inovadora e arrojada.

Com o tempo tornou-se sócia e, 10 anos depois, comprou a parte de seu sócio, se tornando empresária da área de tecnologia. Em 2001, ela decidiu montar uma empresa 100% do seu jeito e convidou mais 10 pessoas para fazerem parte desse sonho. Alguns foram ficando pelo caminho, mudando de trabalho e funções, até que Suely abriu a Digitho Brasil, que em 2006, tornou-se Digix.

Além de ser uma profissional extremamente qualificada, com dois cursos superiores e diversas pós-graduações e MBA na área de gestão, Suely acredita que tudo começa no querer. “Para mim, não existe isso de ‘não vou conseguir’, ‘não vai dar’, eu acredito que tudo que a gente quer, a gente consegue. Mas não basta só isso, é preciso fazer o que for necessário para você alcançar seus objetivos”, pontua.

Presença feminina

Para Suely, as mulheres já estão cada vez mais inseridas no mercado, sobretudo no segmento de tecnologia. No entanto, para ela ainda há um longo caminho a percorrer. Além dos desafios profissionais e dos múltiplos papéis que as mulheres exercem, como o da maternidade, por exemplo, a empresária afirma que há uma crença que limita grande parte dessa força de trabalho feminina.

Ela pontua que algumas se sentem insuficientes para ocupar cargos importantes, mesmo sendo tão ou até mais preparadas que os homens. “A gente precisa mudar essa cultura, que vem de anos de pessoas nos falando que mulheres não podem, que mulheres não conseguem, que determinadas funções não são para mulheres. Isso precisa mudar e o primeiro passo vem de dentro, é preciso acreditar, ter fé em si mesmas”, afirma.

Aos 59 anos, mãe de 3 filhos e avó, Suely confessa que buscar inspiração em grandes nomes ajuda e muito a nunca deixar a peteca cair. “Eu procuro me inspirar em outras pessoas que fizeram a diferença e esse é meu conselho para as mulheres que queiram entrar nesse mercado ainda tão masculino como é o da tecnologia”, explica.

Sempre que a CEO precisa de um ânimo extra, ela relembra da história da estilista Coco Chanel que, surgiu do nada, em uma época pós-guerra e, com muita ousadia e afinco tornou-se uma das pessoas mais famosas do mundo. Hoje, sua marca é a segunda mais poderosa em todo o planeta.

Outro ponto digno de atenção é que a Digix, empresa comandada por Suely, busca fazer a diferença na vida de muitas mulheres e, sobretudo, luta pela equidade dos gêneros nesse setor. Por isso, lançou em 2021, o Impulse Girls, um programa de estágio, que nasceu do desejo de atrair mais mão de obra feminina para os cargos de Desenvolvimento dentro da área de Tecnologia da Informação.

Foram abertas vagas remotas, contemplando estudantes de cursos superiores da área de Tecnologia em todo o Brasil. “Espero que a presença feminina seja cada vez maior nesse segmento, ainda tão dominado pelos homens. Dar condições de igualdade para todos é extremamente importante para a evolução da nossa sociedade”, destaca.

No dia 8 de março, ocasião em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, Suely receberá do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, em nome da Digix, o Selo Social “Empresa Amiga da Mulher”. Seu objetivo é o de conhecer, valorizar e certificar as empresas públicas e privadas que desenvolvam práticas inovadoras e programas educativos de promoção, valorização e defesa dos direitos da mulher no ambiente de trabalho.

Além disso, ele reconhece o protagonismo feminino no desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Apenas receberão o selo empresas que adotem práticas que incentivem a contratação e valorização da mulher no mercado de trabalho, buscando a igualdade de gênero no quadro de pessoal, prevenindo e rechaçando toda e qualquer forma de violência; que estimulem o combate ao assédio moral e sexual no ambiente corporativo; e que promovam a igualdade salarial de gêneros, contribuindo para a redução de desigualdades, com o objetivo de valorizar a mulher. Durante a entrega, Suely assinará também uma “carta-compromisso”, na qual constam diretrizes para a promoção e defesa dos direitos da mulher.

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